14 de abril de 2011

As Baleias Roberto Carlos
Composição: Roberto Carlos / Erasmo Carlos


Não é possível que você suporte a barra 
De olhar nos olhos do que morre em suas mãos 
E ver no mar se debater o sofrimento 
E até sentir-se um vencedor nesse momento 

Não é possível que no fundo do seu peito
Seu coração não tenha lágrimas guardadas 
Pra derramar sobre o vermelho derramado 
No azul das águas que você deixou manchadas

Seus netos vão te perguntar em poucos anos 
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão

O gosto amargo do silêncio em sua boca 
Vai te levar de volta ao mar e a fúria louca 
De uma cauda exposta aos ventos 
Em seus últimos momentos 
Relembrada num trófeu em forma de arpão 

Como é possível que você tenha coragem 
De não deixar nascer a vida que se faz 
Em outra vida que sem ter lugar seguro 
Te pede a chance de existência no futuro 

Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos 
Vai te fazer um verdadeiro vencedor 
Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos
Numa canção que fala muito mais de amor

Não é possível que você suporte a barra

6 de abril de 2011


Pessoal esse vídeo é para que vocês entendam como são perigosas para a população e para a natureza as usinas nucleares, apóiemo greenpeace entrando no site e assinando a petição pedindo a Dilma que pare com usina de Angra III.

22 de março de 2011

Um problema de todos

Se você não tem condições de arcar com projetos de arquitetura para transformar o lar em um ambiente sustentável, pode adotar soluções simples de preservação. Confira abaixo algumas dicas para economizar este recurso:
  • Hoje em dia existem válvulas de descarga que possuem dois botões: um que é utilizado para a urina e consome menos água, e outro para as fezes, que utiliza o reservatório todo da caixa.
  • Verifique a tubulação da casa, trocando os canos furados que desperdiçam grande quantidade de água.
  • Escove os dentes com a torneira fechada. "Para facilitar, encha um copo com água e use somente esta quantidade para enxaguar a boca depois da escovação", ensina Katia.
  • Essa é para as crianças: programe o horário do banho antes de alguma atividade que o pequeno goste de fazer, como lanchar ou encontrar os amigos. "O fato dele não querer se atrasar para curtir o que vem depois torna o banho mais ágil", aponta a naturóloga.
  • A água utilizada no cozimento de legumes pode ser usada para preparar outros pratos, que além de tudo ficam mais nutritivos e gostosos. Já a água utilizada na máquina de lavar pode auxiliar na limpeza da casa. Basta bom senso e cuidado.
  • Adote sistemas de coleta seletiva e reciclagem. "Se temos menos lixo, gastamos menos água nos processos de reciclagem. Se temos menos aterros, contaminamos menos o solo e os lençóis freáticos"


Trouxe essa charge porque hoje é o dia do bem mais precioso que temos.

DIA MUNDIAL DA ÁGUA!

21 de março de 2011

Oie pessoal, 
vim lembrar a vocês que amanhã é o dia mundial da água,
então vamos comemorar por esse tesouro tão precioso que está a nossa disposição,
e pra quem mora aqui em Salvador, amanhã ás 15:00h tem uma caminhada pela água lá no Campo Grande,
vale a pena participar, várias ONGs irão estar lá.

DIA 22-03 DIA MUNDIAL DA ÁGUA


16 de março de 2011

Dia 26-03-2011, temos um compromisso com o planeta,
isso mesmo, nesse dia a partir das 20:30, o mundo vai apagar as luzes durante 60 minutos,
confira melhores informações no site:

 http://www.horadoplaneta.org.br/
Pessoal, aí vão dicas para economizar água na sua casa!

  • Feche todas as torneiras e desligue os aparelhos que usam água na casa (só não feche os registros na parede, que alimentam as saídas de água).
  • Anote o número indicado no hidrômetro e confira depois de algumas horas para ver se houve alteração ou observe o círculo existente no meio do medidor (meia-lua, gravatinha, circunferência dentada) para ver se continua girando.
  • Se houver alteração nos números ou movimento do medidor, há vazamento.
  • Caso seja viável, instale redutores de vazão em torneiras e chuveiro.

24 de fevereiro de 2011

Pessoal, para quem não conhece quero apresentar a vocês um projeto de muita importância para todos nós, o projeto TAMAR, que tem como objetivo preservar a vida marinha, e proteger todas as espécies de tartarugas marinhas. Como fazem isso? os voluntários protegem os ninhos até o nascimento dos filhotes e acompanham a ida ao mar para que consigam chegar em segurança, e afasta-las do maior predador (os guaxinins) que se alimentam dos ovos.

Esse projeto está fazendo 30 anos, quem quiser conferir melhor pode acessar o site: http://www.projetotamar.org.br/

17 de fevereiro de 2011

Sugestão de Filmes

1. Dersu Uzala, direção de Akira Kurosawa
2. Os Lobos não choram, direção de Carrol Ballard
Leitura de Apoio

"Como é que se pode comprar ou vender o calor da terra? essa idéia nos parece estranha.
[...] Isso sabemos: ' a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra'.[...]
[...] Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes[...] Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas[...]
O que ocorre com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo que fizer ao tecido, fará a si mesmo."


Trecho da carta do chefe indígena Seattle  
ao presidente dos Estados Unidos, em 1854.

15 de fevereiro de 2011

Separar o lixo é um esforço que vale a pena, pois além de ajudar na economia, evita enchentes e acumulo de lixo na natureza!

10 de fevereiro de 2011



Saiba a importância da coleta seletiva
Papel
  •  A cada 28 toneladas de papel reciclado evita-se o corte de 1 hectare de fl oresta (1 tonelada evita o corte de 30 ou mais árvores);
     
  • A produção de uma tonelada de papel novo consome de 50 a 60 eucaliptos, 100 mil litros de água e 5 mil KW/h de energia. Já uma tonelada de papel reciclado consome 1.200 Kg de papel velho, 2 millitros de água e 1.000 a 2.500 KW/h de energia;
  • A produção de papel reciclado dispensa processos químicos e evita a poluição ambiental: reduz em 74% os poluentes liberados no ar e em 35% os despejados na água, além de poupar árvores;
     
  • A reciclagem de uma tonelada de jornais evita a emissão de 2,5 toneladas de dióxido de carbono naatmosfera;
     
  • O papel jornal produzido a partir das aparas requer 25% a 60% menos energia elétrica do que a necessária para obter papel da polpa da madeira.
     
Metais
  • A reciclagem de 1 tonelada de aço economiza 1.140 Kg de minério de ferro, 155 Kg de carvão e 18 Kgde cal;
     
  • Na reciclagem de 1 tonelada de alumínio economiza-se 95% de energia (são 17.600 kwh para fabricar alumínio a partir de matéria-prima virgem, contra 750 kwh a partir de alumínio reciclado) e 5 toneladas de bauxita, além de evitar a poluição causada pelo processo convencional, reduzindo 85% da poluição do ar e 76% do consumo de água;
     
  • Uma tonelada de latinhas de alumínio, quando recicladas, economiza 200 metros cúbicos de aterros sanitários;
     
  • Vale lembrar que que 96% das latas no Brasil são recicladas, superando os índices de países como o Japão, Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal. Entretanto, este número pode chegar próximo a 100% dependendo de suas atitudes!
Vidro
  •  O vidro é 100% reciclável, portanto não é lixo: 1 kg de vidro reciclado produz 1 kg de vidro novo;
  • As propriedades do vidro se mantêm mesmo depois de sucessivos processos de reciclagem, ao contráriodo papel, que vai perdendo qualidade ao longo de algumas reciclagens;
     
  •  O vidro não se degrada facilmente, então não deve ser despejado no solo;
  • O vidro, em seu processo de reciclagem, requer menos temperatura para ser fundido, economizando aproximadamente 70% de energia e permitindo maior durabilidade dos fornos;
     
  • Uma tonelada de vidro reciclado evita a extração de 1,3 tonelada de areia, economiza 22% no consumo de barrilha (material importado) e 50% no consumo de água.

     
Plásticos
  • Todos os plásticos são derivados do petróleo, um recurso natural não renovável e altamente poluente;
  • A reciclagem do plástico economiza até 90% de energia e gera mão-de-obra pela implantação de pequenas e médias indústrias;
     
  • 100 toneladas de plástico reciclado evitam a extração de 1 tonelada de petróleo.

Pense de Novo - Energia e novas tecnologias

24 de janeiro de 2011

Descarte certo

Com atitude e consciência, podemos combater o excesso de lixo tóxico que vem provocando danos à saúde do planeta


Sabe aquela geladeira antiga que você não usa mais? Ou mesmo os aparelhos eletrônicos deixados de lado? Ah, sem contar as pilhas e baterias aposentadas e os remédios vencidos? Se não bastasse a dúvida sobre o que fazer com essas coisas todas, ainda temos de tratá-las com cuidados especiais. “Por conterem substâncias tóxicas, quando descartados de forma incorreta no meio ambiente, esses e outros itens, como óleo de cozinha e lâmpadas, contaminam o solo e a água”, explica a doutora em engenharia química Carolina Afonso Pinto, formada pela Universidade de São Paulo (USP).

“Para quem não recebe água tratada, a opção é captar de rios ou do lençol freático através de poços artesanais. É aí que mora o perigo”, alerta. Como a maioria desses objetos ainda é eliminada junto com o lixo comum nos chamados “lixões”, o impacto é certeiro. “Não há nenhum controle sobre eles, o que amplia a proliferação de gases tóxicos e líquidos poluentes, como o chorume. O resultado são as doenças, além de solo e ar poluídos”, declara Jorge Tenório, professor titular de engenharia de materiais da Universidade de São Paulo (USP). Como isso pode se agravar e nos trazer problemas futuros? Basta olhar ao redor e ver a multidão de pessoas consumindo sem parar. E o pior: sem saber o que fazer com o que possuem. “Produzimos três vezes mais lixo eletrônico do que lixo comum, que já é insustentável ao planeta”, fala Heloisa Mello, diretora de operações do Instituto Akatu, em São Paulo.

“Consumimos 30% além do que o mundo pode renovar, por isso entramos em uma espécie de cheque especial para sobreviver”, conta Heloisa. Exagero? Não quando observamos a quantidade de novidades lançadas a cada dia. “O consumo hoje é descartável. Os produtos têm pouca durabilidade e essa troca é intensa e rápida”, completa. O alerta nos convida a uma reflexão sobre o futuro de nossas ações daqui para frente. “Não podemos deixar para quando sentirmos na pele o problema. É melhor prevenir do que ter de tomar medidas mais duras depois”, reforça Dinah Monteiro Lessa, diretora do Instituto Recicle, em São Paulo.

CONSUMO CONSCIENTE
Pare e pense em quantos objetos você compra, usa e joga for a diariamente. Saberia dizer quais eram realmente necessários? Você usou-os no mesmo instante ou só depois de semanas ou meses? Essas perguntas podem até parecer simples, mas ajudam muito na hora da decisão. “Devemos pensar no descarte assim que escolhemos o produto”, avisa Heloisa Mello. “O ideal é priorizar os que tenham durabilidade e uso imediato.

Além disso, dê preferência às empresas que os fabricam com sustentabilidade”, reforça Dinah Monteiro Lessa. Por exemplo, observar se as embalagens são feitas de materiais recicláveis e se a empresa as recolhe quando perdem a utilidade já ajuda nessa missão. “As pequenas atitudes individuais resultarão em grande diferença. Se cada um fizer a sua parte, a consequência será gigantesca”, ressalta Heloisa Mello.

O esforço de todos colabora e, com a nova lei de resíduos sólidos, o caminho começa a ser traçado de forma mais rápida. Agora, os fabricantes de eletrônicos, eletrodomésticos,lâmpadas, óleos lubrificantes, pilhas e baterias deverão recolher seus produtos após o término de sua vida útil. Nas páginas a seguir,você verá como descartar de forma adequada todos os tipos de lixo tóxico, incluindo os remédios. Veja aqui algumas indicações e consulte no site da revista Bons Fluidos uma lista mais ampla dos locais que recebem esses materiais.

CADA UM NO SEU LUGAR
PILHAS E BATERIAS
Se fizer um passeio rápido pela sua casa e visitar quartos, cozinha, sala e banheiro, talvez você não perceba que todos esses ambientes têm objetos que trazem algo em comum: pilhas ou baterias. Independentemente do tipo ou do tamanho, o estrago que esses itens causam à natureza e ao homem vem dos metais cádmio, chumbo e mercúrio. Quando entram em contato com o solo, a contaminação é certa e se estende às plantas e animais que vivem nesses locais. O mesmo raciocínio vale para nós, uma vez que, eventualmente, podemos ingerir alimentos contaminados em algum momento da cadeia produtiva.
Onde estão: controles remotos, filmadoras, máquinas fotográficas, telefones fixos e sem fio, celulares, mp3s, barbeadores, brinquedos, lanternas, rádios, notebooks, calculadoras, aparelhos de DVD, relógios e outros produtos que usem pilhas ou baterias comuns e recarregáveis.
Como descartar: envolva a pilha ou a bateria em um saco plástico, separando-o do lixo comum, e deposite em postos de coleta específicos.

 

17 de janeiro de 2011

Ideologia: eu quero uma pra comer - SESC




Cresce o número de adeptos de uma alimentação que dispensa o sacrificío dos animais para consumo. São pessoas que apenas consomem produtos orgânicos cujo cultivo não agride a natureza
Você lembra o que comeu ontem no almoço? Provavelmente, não. Como você, a maioria das pessoas talvez não esteja tão atenta assim ao que põe no prato. Menos atenta ainda à procedência ou meio de extração e produção do que come. Estamos falando, sobretudo, da, por assim dizer, controversa carne. Polêmica no ar? Então inclua também todo e qualquer alimento derivado de animal e está armada uma arena de conceitos, filosofias e até mesmo ideologias acerca do que o corpo humano necessita, de fato, ingerir.
O fato é que alguns grupos politizaram o alimento de cada dia. Se antes a política se fazia apenas nas hostes tradicionais - partidos, sindicatos, jornais etc. -, o conceito foi ampliado até atingir o corpo e o prato sobre a mesa. Embora muitos possam dizer que essa é uma discussão que só poderia ocorrer nos tempos atuais - quando a produção de comida é realizada em quantidades industriais - conjeturas acerca das benesses e os prejuízos de comer ou não carne, por exemplo, vêm de tempos remotos. Na Antiguidade, filósofos como Platão e Sócrates já questionavam tal hábito. Hoje em dia, no entanto, há os que vão ainda mais longe. Os vegans (pronuncia-se "vigans", corruptela do termo em inglês vegetarian), ou vegetarianos puros, não ingerem derivados, como leite e ovos; não usam qualquer produto de origem animal, como couro ou lã, e passam longe de produtos testados em animais, como sabonetes e xampus.


Cardápio de protesto

No que concerne à alimentação especificamente, na maioria dos casos o quesito saúde é considerado, mas não como fator principal. "Sou vegetariano por uma questão ética", começa o advogado Ruy Cavalheiro, de 29 anos, vegetariano há doze e vegan há seis. "Consumir carne implica o massacre desnecessário de animais. Depois parei de consumir outros produtos de origem animal, porque a única maneira de obtê-los no capitalismo é por meio de processos cruéis. Se nosso corpo não precisa de produtos animais, então é um luxo consumi-los. A questão da saúde é uma ótima conseqüência, mas não foi a razão principal da minha escolha", atesta o advogado. Vale esclarecer que o termo vegetariano aplica-se a quem não come nenhum tipo de carne; porém, esse indivíduo é geralmente o que se denomina ovo-lacto-vegetariano, ou seja, consome leite e ovos. "Optei pelo vegetarianismo para conseguir uma qualidade de vida melhor", conta a médica Maristela Vilar, que segue essa filosofia há vinte anos. "Não foi de um dia para o outro, foi um processo que se consolidou aos poucos. Fiz pela saúde, mas também para mudar minha postura perante o mundo, perante a vida. É uma atitude pessoal e política." Por um processo parecido passou a socióloga Marly Winckler, secretária regional para a América Latina da União Vegetariana Internacional. "Tornei-me vegetariana principalmente por razões éticas e espirituais. Acho que somente os benefícios para a saúde não teriam tanto peso. Foram outros motivos, como a relação do consumo de carne com a destruição do planeta, a fome e outras razões igualmente importantes que fortaleceram ainda mais minha convicção de largar definitivamente a carne", diz ela, que desde 1995 também é vegan. 
Nenhum tipo de carne de qualquer animal é admitido no prato de um vegetariano - não importa seu grau de desenvolvimento. "Qualquer animal que tenha um sistema nervoso minimamente elaborado sente dor", explica o biólogo Sérgio Greif, mestre em nutrição pela Unicamp, vegetariano desde criança e vegan há sete anos.

Já faz tempo

Não se sabe quem foi o primeiro vegetariano da história. Assim como não se sabe quem foi o primeiro homem a comer carne. Por natureza, o homem é um animal onívoro ou polífago, ou seja, que come tudo. O que preenche nosso prato é, em circunstâncias normais, uma questão de escolha. 
Para partirmos de um ponto, consideremos o início da civilização ocidental. Desde os filósofos gregos, o vegetarianismo é observado. Já naquela época, registros mostram que Sócrates tinha uma profunda preocupação com a violência do hábito de comer um animal, além de questionar os benefícios para a saúde e as conseqüências sociais devido à quantidade de terra exigida para a criação dos bichos. Consta também que Pitágoras era vegetariano. Em homenagem ao matemático grego, os vegetarianos eram chamados de "pitagóricos". Esse termo foi usado até 1847, quando foi inaugurada a Sociedade Vegetariana do Reino Unido. 
As inquietudes dos vegetarianos continuam semelhantes às de Sócrates. "Na mesma área utilizada para criar um boi, seria possível plantar para alimentar até quarenta pessoas", afirma a socióloga Marly Winckler. De fato, a produção de vegetais pode alimentar um número muito maior de pessoas do que a de carne. Afinal, estudos apontam que para produzir 1 quilo de carne, um boi consome 7 quilos de grãos. Por outro lado, não se pode concluir que se o mundo fosse vegetariano não haveria fome. A desigualdade entre os países ricos e pobres é uma das grandes "vilãs" que dificultam essa equação. É o que explica Luiz Felipe Nascimento, doutor em economia e meio ambiente e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul: "A produção agrícola é mais barata e rende mais alimento. Mas o problema da fome no mundo não é a falta de comida e sim o fato de alguns países comerem demais enquanto outros comem de menos".

"Se os matadouros fossem de vidro, todos seriam vegetarianos."

A frase é atribuída a Linda McCartney, falecida esposa do ex-beatle Paul McCartney, referindo-se ao abate de animais para o consumo humano. Que comportamento a humanidade adotaria se tais locais fossem expostos? Não se sabe. Mas, de fato, a maneira como galinhas, porcos, patos, vacas e outros animais são criados e mortos mostrou-se um dos argumentos mais convincentes para se tornar um vegetariano ou vegan. 
Foi depois de uma pesquisa na Internet que a estudante Mayra Vergotti, de dezessete anos, descobriu o que acontecia nos matadouros. Isso foi em 2000 e desde então ela tornou-se vegan. "Adotei o veganismo direto. Minha irmã tentou, mas não conseguiu. Hoje ela é só vegetariana. Será que o prazer de um jantar vale o sofrimento de um animal?", pergunta a estudante. "Isso é especismo. É como o preconceito entre pessoas de diferentes origens, mas nesse caso trata-se do preconceito entre espécies. Por que um ser humano tem o direito de torturar e matar outro animal para saciar seu prazer, enquanto há milhares de alimentos que ele pode consumir?", completa ela que, de tão mergulhada no assunto, escolheu o vegetarianismo como tema para a monografia exigida pelo colégio.
Mas não fica difícil viver com tantas restrições alimentares? "Claro que dificulta um pouco", retoma a médica Maristela Vilar. "Fui à Espanha com uma amiga e tivemos que conversar antes de embarcar. Não vou a qualquer tipo de restaurante e, na maioria das vezes, não poderíamos dividir o mesmo prato." Quanto ao preço, ela acha que acaba gastando mais por optar por uma dieta não comum à maioria. "São produtos com menos aditivos, produzidos em menor escala. Mas tenho outros ganhos que compensam." A estudante Mayra discorda. "Pode até ficar mais barato. A soja é mais barata que a carne e qualquer restaurante tem arroz, feijão e saladas." O advogado Ruy Cavalheiro retoma dizendo que também não vê problema em manter a mesma vida social que qualquer pessoa. "Tenho muitos amigos que não são vegans e que continuam saindo comigo. Eles comem a comida deles e eu a minha."

Dá resultado?

Porém, o que se nota é que é praticamente impossível boicotar todo produto derivado de animal. Até um simples filme de fotografia tem um tipo de gelatina de extratos animais em sua composição. A questão fica sendo, então, onde começa e acaba o boicote. "Vivo nesta sociedade e não me esqueço disso. A intenção não é me retirar. O que vale é protestar como posso", conclui a estudante Helena Thomaz, de 21 anos, vegan há dois. "No Brasil, acho que os efeitos do boicote ainda não são evidentes", admite Marly Winckler. "Na Alemanha, não se pode mais criar animais confinados e nos Estados Unidos o McDonald's, maior símbolo mundial de consumo de carne, não compra frangos criados em condições de horror", informa. O professor Luiz Felipe retoma admitindo que a economia mundial não está preparada para abrir mão dos derivados de animais. "Mas essa resistência é válida", pondera. "Porque pode forçar as empresas a assumir uma posição mais responsável com o meio ambiente e até com a qualidade dos produtos. Esse é um dos pontos do consumo consciente. Se mantivermos o nível e a qualidade atuais do que consumimos, o planeta não agüentará por muito tempo", alerta.

Verdurada

Você já foi convidado para ir a uma feijoada ou churrascada, mas provavelmente nunca ouviu falar em verdurada. Pois ela existe. "Esse nome foi inventado por um amigo, que brincava com o fato de sermos vegetarianos e não podermos nos reunir numa churrascada", explica Ruy Cavalheiro, um dos "fundadores" das verduradas, que existem desde 1996. Atualmente, elas acontecem em um grande galpão na zona sul de São Paulo e reúnem de quinhentas a seiscentas pessoas que vão até lá para assistir shows de bandas hardcores, palestras, debates sobre questões sociais, além de encontrarem barracas que vendem produtos veganos, ou seja, que não contêm nenhum derivado animal. Esses encontros são organizados pelos straight edges, uma versão pacifista dos punks. Indivíduos que também pregam uma sociedade anárquica, mas não usam métodos violentos para combater o sistema. Eles não bebem, não fumam, não usam drogas e muitos são vegetarianos ou vegans. "Já fui punk violento, mas depois que conheci os straight edges, vi que não tenho que bater em ninguém, nem quebrar nada para mostrar minhas idéias. Preciso da minha consciência intacta para conhecer a realidade", conta o estudante Adilson Mendonça, de 21 anos, que adotou o vegetarianismo e há dois meses é vegan. "Fui vegan por cinco anos, mas hoje sou vegetariano", explica Rafael Petroni, de 19 anos. Segundo ele, o preço e a dificuldade em manter esse cardápio no dia-a-dia tornavam a alimentação muito difícil. "Mas agora estou tentando voltar ao veganismo", promete. 
Além dos empecilhos levantados por Rafael, a questão da saúde também é ponto polêmico quando o assunto é ideologia à mesa. A maioria dos nutricionistas atenta para os possíveis males carência de alguns alimentos na dieta de um indivíduo pode causar (ver o box). Só para citar um exemplo, é sabido que as carnes e seus derivados são boas fontes de proteína. Além disso, estudos mostram que o organismo absorve 30% desse ferro quando de origem animal; e somente cerca de 2% a 10% quando de origem vegetal. Segundo o senso comum, a deficiência de ferro pode causar falta de ar, dor de cabeça e irritabilidade, além de problemas no processo de crescimento. Porém, para o nutricionista George Guimarães, também adepto da dieta vegan, o ferro encontrado em fontes vegetais pode ter o mesmo grau de absorção daquele originário de fontes animais, é só uma questão de saber combinar os alimentos. "É importante que as refeições sejam acompanhadas de alimentos que contenham vitamina C, que ajuda essa assimilação, como o suco de laranja, por exemplo", recomenda.

Aquela velha questão - E a saúde suporta essa "ideologia alimentar"?

Ao aderir a uma dieta vegetariana, alguns cuidados devem ser tomados para que não haja nenhum tipo de deficiência nutricional. "Este tipo de dieta deve ser adequadamente acompanhada e é muito importante saber substituir e combinar bem os alimentos", começa explicando a nutricionista do Sesc Márcia Bonetti. "Para isso, o vegetariano pode contar com a ajuda de um profissional da área para obter as orientações necessárias". Márcia já adianta algumas delas: "Para evitar a carência de cálcio, é recomendável consumir alimentos como brócolis, quiabo ou cereais matinais que são enriquecidos em cálcio", esclarece. O consumo excessivo de fibras, segundo ela, também pode trazer graves deficiências de nutrientes e de calorias. "Por isso, recomenda-se moderar o consumo, aumentando a quantidade total de alimentos em combinações entre cereais refinados e integrais". Combinar diariamente, nas refeições principais, pelo menos um cereal e uma leguminosa também é recomendado. Assim como aumentar o consumo de verduras de folhas verdes escuras, como beterraba e frutas secas, como nozes e castanhas. 
É importante também incluir sucos cítricos em cada refeição. "Além de consultar um médico ou nutricionista para possível suplementação de ferro, cálcio, zinco, vitamina B12 e D" completa Márcia. "Principalmente para pessoas que exijam cuidados mais especiais, como crianças, mulheres grávidas e idosos, por exemplo". Para finalizar, a nutricionista alerta: "Evite consumir chá mate junto às refeições, pois contém ácido tânico, que reduz a absorção de ferro. E procure também não ingerir leite junto ao almoço e jantar. Apesar do leite ser muito nutritivo, o cálcio que ele contém compete com ferro momento da absorção".
Preferir madeira de reflorestamento ou certificada para qualquer uso em carpintaria de sua casa é ambientalmente correto e também mais saudável do que os aglomerados, que contêm substâncias químicas como o formaldeído, cancerígeno.
Bandejas de isopor e papel filme que embalam frutas, carnes e frios são a dupla de modernidade que está invadindo os aterros sanitários. Os dois estarão no lixo poucos minutos depois que chegar a sua casa. É interessante questionar com o gerente do supermercado se é mesmo necessário usá-los nas prateleiras.